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Mirantes que falam de História
15 maio 2021

Mirantes que falam de História

Post by Monica Bertazzolo

O mirante do Pão de Açúcar corre atrás do Cristo por fama. O complexo, localizado no bairro da Urca, é composto pelo Pão de Açúcar, o morro da Urca e da Babilônia. O teleférico que sai da Praia Vermelha conecta somente os primeiros dois morros, e lá do alto temos vários pontos de onde apreciar a paisagem. São vistas privilegiadas sobre a Baia de Guanabara. Vemos a entrada da Boca da Baia tão pertinho, com sua natureza intacta, que podemos por um momento imaginar os portugueses adentrando neste território no século XVI, passando por lá. Já comentei sobre mirantes em outros posts, aqui e aqui, mas qual a história deste local? Como surge o teleférico?

Praia Vermelha, Urca, vista para o Pã de Açúcar
Vista do Pão de Açúcar a partir da Praia Vermelha. Fonte: viajali.com

História do Pão de Açúcar

A origem do nome remete ao formato da rocha que lembra os cones usados nos engenhos para a cristalização do açúcar, feitos em barro, ferro ou madeira. Num processo que levava alguns dias, por um pequeno orifício no fundo do cone, passava a última parte de agua, na fase final da produção. E ali o açúcar se solidificava.

Figura de homens trabalhando no engenho de açúcar
Atividade num engenho de açúcar, gravura de Johannes Stradarum sec. XVI. Fonte: Invaluable Auctions

O Pão de Açúcar é um marco histórico, porque aos seus pés, foi fundada em 1565 a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Na época este morro era ilhado e isolado do continente. O acesso se dava somente por mar.  Por não ter espaço suficiente para se expandir, a cidade então foi transferida para a região onde hoje se encontra o bairro do Centro. Por lá ficaram somente as linhas de defesa que darão origem a fortes. E fica a dica: mediante agendamento, estas fortalezas podem ser visitadas!

Fortaleza de São João localizada no bairro da Urca, vista de cima do Pão de Açúcar.
Fortaleza de S. João vista do Pão de Açúcar. Fonte: catracalivre.com

O bondinho

A ideia da construção de um teleférico surgiu no contexto da Exposição Nacional de 1908. Uma feira comemorativa do centenário da emancipação comercial e industrial do Brasil, que aconteceu na Praia Vermelha. O empresário Augusto Ferreira Ramos, que participava desta Exposição, foi o engenheiro visionário precursor da ideia do primeiro caminho aéreo. Inaugurado em 1912, foi na época o terceiro teleférico no mundo, depois de Espanha e Suíça. Um feito para aqueles anos. Hoje a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar está operando com uma terceira geração de bondes.

Primeiro bondinho amarelo perto da estátua de Augusto Ferreira Ramos na primeira estação do Pão de Açúcar.
Primeiro bonde com estátua de Augusto Ferreira Ramos. Fonte: estrangeira.com

Os Mirantes

A visita a este complexo é dividida em duas etapas. A primeira parada se dá no Morro da Urca. Descendo do teleférico, do lado esquerdo há um espaço onde se podem ver os antigos bondes. Seja o de 1912 (uma réplica) com capacidade para 22 pessoas, seja o que entrou em função em 1972. Conhecido pelos cariocas como “modelo bolha”, este bondinho elevou a capacidade para 75 pessoas, mas tinha um grande defeito: era uma verdadeira sauna! Deste patamar se podem ver as construções mais antigas da Avenida Pasteur, a antiga praia da Saudade, hoje única rua de acesso ao bairro.

Vista da AVenida Pasteur a partir do Morro da Urca. Fonte: própria.

Contornando este cocoruto para chegar até a segunda estação de bondes para subir ao Pão de Açúcar, o panorama continua se abrindo ao visitante, mostrando a beleza da Baia de Guanabara. Em dias límpidos, o olhar alcança a Serra dos Órgãos onde se distingue o Dedo de Deus, montanha em forma de dedo que aponta ao céu.

Chegando ao Pão de Açúcar já teremos subido a quase 400 metros de altura e o olhar consegue alcançar a praia de Copacabana em direção sul e as praias de Niterói olhando para o leste. E aqui eu paro pois é difícil expressar com palavras a perfeição desta vista!

Vista do Bondinho, Lagoa Rodrigo de Freitas, e inúmeros morros do Rio e Janeiro ao pôr do sol.
Pôr do sol do Pão de Açúcar. Fonte: Sunline

Mirante do Pasmado

Saindo do Pão de Açúcar que tal visitar uma outra atração de fácil acesso, bem próxima do teleférico? É um ponto quase “secreto” do Rio, aonde poucos vão. Se trata do Morro do Pasmado, em Botafogo, que em passado recente, era ocupado por uma favela. Esta foi removida, dando lugar ao Parque que recebeu o nome de um líder político israelense e israelita, o primeiro ministro Yitzhak Rabin.

O local foi escolhido para receber o Monumento ao Holocausto e já se pode ver o obelisco que desponta. O projeto é do arquiteto André Orioli. A coluna de quase 20 metros de altura, está dividida em dez partes, representando simbolicamente os Dez Mandamentos. Em sua base, foi gravada a frase: Não matarás. A integrar o conjunto foi projetado um Memorial no subsolo, dedicado à memória do Holocausto, com área para exposições. O futuro museu oferecerá também uma programação educacional. O platô onde se encontra o Monumento tem sua abertura ao público programada para junho de 2021, mas já é possível passear pelos três mirantes. Um projeto de paisagismo trouxe de volta a vista para a Baia de Guanabara, antes obstruída pelo crescimento desordenado de plantas exóticas.

Vista do Memorial do Holocausto no Morro do Pasmado de frente para a Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar ao canto.
Memorial do Holocausto no Morro do Pasmado visto de drone. Fonte CONIB.

Eis que paisagem pode combinar com história! Se gostou das dicas, continue nos acompanhando por aqui. Tenho mais surpresas para te revelar!

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Sou descendente de italianos e sou doutora na Itália em Línguas e Literaturas Estrangeiras. O Rio de Janeiro é uma cidade multifacetada, uma combinação de culturas, paisagens, história e arquitetura. Revelar seus diferentes ângulos é o que me proponho como guia de turismo. Vamos descobri-lo juntos!

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