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BioParque do Rio de Janeiro, seus recintos e suas vedetes
28 set 2021

BioParque do Rio de Janeiro, seus recintos e suas vedetes

Post by Monica Bertazzolo

Recentemente neste post escrevi sobre a evolução dos jardins zoológicos e como chegamos até a versão mais em voga que é a dos Bioparques. No Rio de Janeiro não ficamos para trás, e, reinaugurado em 2021, o antigo zoológico se vestiu de novo como BioParque do Rio. Dentre os vários projetos está aquele de reproduzir em cativeiro algumas espécies e reintroduzir esses indivíduos na natureza. Portanto, se trata de uma mudança radical respeito ao que se fazia no passado. Antes os animais eram tirados dos seus habitats e hoje são os zoológicos que estão tentando realocá-los na natureza.

Arara vermelha olhando diretamente para a câmera
Arara-vermelha. Fonte: grupocataratas.com

Vale lembrar que os animais do BioParque em parte são animais que nasceram em cativeiro. Outros provêm, em grande número, de apreensões, ou de circos, ou resgatados de atropelamentos nas rodovias de todo o país. O tráfico de espécies silvestres é a terceira maior atividade ilícita do mundo, e é responsável pela retirada de 38 milhões de animais do Brasil a cada ano. Destes 38 milhões, 80% são psitacídeos como araras e papagaios que pagam com a liberdade o fato de terem uma plumagem tão apreciada e colorida!

Conhecendo o Parque. Primeira etapa: Imersão Tropical

A visitação do BioParque procede em sentido circular, começando pela área chamada de “viveirão” onde se encontram não só os pássaros, mas também o mico leão dourado assim como o bicho preguiça. Todos os recintos têm placas ilustrativas que nos indicam o nome científico e popular das espécies expostas assim como sua área de proveniência e estado de conservação.

Mico Leão dourado
Mico leão dourado. Fonte: bioparque.com

Dentre as curiosidades desta área temática, aqui estão expostos os guarás. São aves pernaltas e sua plumagem é de um colorido vermelho muito forte, por causa de sua alimentação à base de caranguejos que tinge suas plumas. Várias localidades na costa brasileira têm nomes de origem indígena associados, no passado, a presença do guará, como Guaratiba (RJ) e Guarapari (ES). No Rio de Janeiro, registramos a presença destas aves até 1952 quando foram avistadas pela última vez. O BioParque está envolvido no projeto de reintrodução “Volta guará”, do Instituto Estadual do Ambiente, que pretende avermelhar de novo Guaratiba. E quem sabe até mesmo a Baia de Guanabara. Torcendo para dar certo!

Conjunto de Guarás descansando no galho longo dentro do espaço: Imersão Tropical.
Guarás no Viveirão. Flnte: autor

Vila dos répteis

Além dos jacarés que preguiçosos ficam expostos ao sol, nesta área encontramos também uma das cinco maiores cobras do mundo que podem atingir até 5 metros de comprimento. São as Pítons Birmanesas que se atacarem um homem, para liberá-lo de seu aperto é necessária a força de pelo menos 8 homens para salvar o desventurado. Portanto fica a dica: nunca façam safari pela Birmânia em grupos de menos de 9 pessoas!

Cobra da espécie Piton albina (pele branca com manchas geométricas amarelas cobrindo desde o rabo até a cabeça.
Piton albina. Fonte: InstitutoVitalBrasil

Reis da Selva e Carnívoros

São vários os recintos onde encontramos representantes da família dos felinos. A vedete é a onça-pintada Gabi que nasceu no antigo zoológico do Rio em 2002. Portanto hoje ela é uma das integrantes da velha-guarda. Ela ficou famosa pois a usaram como modelo para a onça-pintada que vemos hoje na cédula de 50 reais. Sabia disso? Outra estrela é o leão, que também tem nome: é o Simba, outro querido do parque!

Colagem com 4 fotos do Leão Simba deitado de frente para a câmera:
Foto 1- leão bocejando
Foto 2- leão de olhos fechados com a cabeça virada para a direita 
Foto 3- leão de olhos abertos com a cabeça virada para a direita
Foto 4- leão com olhos fechados e cabeça abaixada para frente
Leão Simba. Fonte: GuiaGustavodeSá

Área Asiática, o lar do elefante

Os elefantes são os maiores animais terrestres, chegando a pesar toneladas. Aqui vive a Koala, que foi resgatada do Circo de Moscou em 1990. O antigo recinto tinha 800 metros quadrados, um verdadeiro conjugado para um animal deste porte. Hoje o seu espaço passou para 7.700 metros quadrados. Acredito que todos nós gostaríamos de poder ver estas espécies em liberdade, mas dentro do que uma instituição pode dispor, acredito que a troca foi para melhor!

Autora Monica tirando uma selfie de máscara cobrindo a boca e o nariz com a elefante Koala atrás dentro de seu espaço terroso amarelado
Elefante Koala. Fonte: autor

Ilha dos Primatas, outro salto de qualidade

Para quem lembra que antigamente os macacos viviam enjaulados, ficará muito feliz em ver esta nova área destinada a eles. Aqui vivem cinco espécies de pequenos primatas que transitam, utilizando ponte suspensas, de uma ilhota para outra em total liberdade. O que faz com que fiquem bem próximos dos visitantes. E falando de macacos, impossível não mencionar o Macaco Tião, um chimpanzé antigo morador do zoo. Para homenageá-lo a alameda central hoje leva seu nome. Conhecido por lançar tudo que tinha pela frente contra os que vinham vê-lo, era o mais amado das crianças.

Macaco com pelos pretos pendurado pela rabo em uma das cordas dentro da Ilha dos Primatas
Ilha dos primatas. Fonte: grupocataratas.com

Dentre os animais, nenhum superou a popularidade do macaco Tião, cujo nome foi proposto para prefeito. Em 1988 um grupo de cômicos do “Casseta e Planeta”, lançou sua candidatura e, diga-se de passagem, naquele ano, se a eleição de Tião fosse de verdade ele teria ficado em terceiro lugar, com 400 mil votos! Pela lógica dos cômicos, o Tião era um candidato perfeito. Não fazia promessas e era perfeitamente honesto! Quando Tião morreu, em 1996, aos 33 anos, foi decretado luto oficial no Rio!

Estátua de bronze com tonalidade escura, quase preta com detalhes dourados no topo, do Macaco Tião
Homenagem ao Macaco Tião. Foto Autor

Savana, um pedacinho de África no Rio de Janeiro

Esse é um local especial. Se encontra no final do percurso e conta com cerca de 10 espécies que vivem naquele continente. Um rio de 250 metros de extensão, corta este espaço e uma passarela suspensa possibilita aos visitantes contemplar os animais, incluindo o casal de hipopótamos Bocão e Tim. É possível, comprando um ingresso a parte, realizar um passeio de barco e percorrer o rio desta área. Uma cenografia perfeita onde foi recriado um acampamento com tendas e esculturas representando exploradores em tamanho natural. Agora estamos todos à espera da chegada de uma girafa que irá integrar o grupo de animais que vivem aqui no BioParque!

Área da Savana, pequeno rio envolvendo um grande espaço quadrado com grama verde e pequenas barracas marrons
Área da Savana. Fonte: agênciaBrasil

Última menção: a exposição dos achados arqueológicos

Durante as obras de expansão e modernização do zoológico, encontraram relíquias arqueológicas. E devido a complexa história da ocupação desta área são peças que remontam a diferentes períodos históricos. Os primeiros moradores de São Cristóvão foram os índios. Com a colonização estas terras foram doadas aos Padres Jesuítas, que nelas, ainda no século XVI, fundaram um engenho. Com a expulsão da ordem a área foi desmembrada e passou a ser de propriedade privada.  A parte maior do engenho foi arrematada pelo comerciante Elias Antônio Lopes, que em 1803 mandou erguer imponente casarão avarandado. E com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, em 1808, Elias doou sua propriedade, a “Quinta da Boa Vista”, a Dom João VI. E lá, viveram também os imperadores até o exílio da Corte com a entrada no período republicano.

Espaço dedicado aos achados arqueológicos. Fonte: autor

Os achados arqueológicos, portanto, de uma certa forma narram a história não só da Quinta como também acompanham a própria história do Brasil. A exposição destas peças foi organizada num palacete neocolonial de 1929 que nasceu para ser escola e teve várias outras funções até se tornar a sede da antiga administração do zoo. Este é um dos raros exemplos no qual se pensou numa interação única entre meio ambiente e cultura! Arqueologia e biologia de mãos dadas. Mais uma vez o BioParque está de parabéns!

Espero tenha gostado desta leitura. O espaço reserva ainda mais surpresas, e merece uma visita. Um local onde as crianças vivem momentos mágicos e os adultos se tornam crianças!

Nos vemos novamente por aqui com mais informações sobre o Rio!

*Visite o BioParque e o AquaRio com o passeio Rio Animal Tour. Clique aqui.

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Sou descendente de italianos e sou doutora na Itália em Línguas e Literaturas Estrangeiras. O Rio de Janeiro é uma cidade multifacetada, uma combinação de culturas, paisagens, história e arquitetura. Revelar seus diferentes ângulos é o que me proponho como guia de turismo. Vamos descobri-lo juntos!

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